quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Parte 3 - O fundo do poço.

Logo minha mulher engravidou novamente, estava esperando um menino. Minha filha começou a morar com os avós, pois, eles percebiam que na minha casa não era ambiente para uma criança crescer; Porque que exemplo eu seria para ela?
Eu vivia mais na rua do que em casa, focado somente no uso, não fiz questão da minha filha morar com os avós, assim, sobrava só uma coisa para eu me preocupar; COMO ARRUMAR MAIS DROGAS.

Meu filho nasceu, e foi mais ou menos nesta época que conheci a droga que ia me humilhar;  "O CRAQUE!"  Esta droga afetou todas as áreas de minha vida (não que outras drogas não seja capaz de fazer o mesmo), família, relacionamento, espiritualmente, fisicamente, no trabalho, etc. Foram dois eternos anos sem produzir nada, andava pelos piores lugares que vocês possam imaginar, às margem da sociedade, andava sempre de cabeça baixa com vergonha da pessoa que avia me tornado.

No trabalho já não ia mais, às vezes fazia alguns bicos para conseguir dinheiro. Comecei a vender minhas coisas e quando não achava mais nada meu para vender  pegava coisas da minha mulher e dos meus filhos. Chegava sempre de madrugada, pois já havia passado o dia e parte da noite consumindo o craque. A compulsão para o uso desta droga era tão grande sobre mim que eu trocaria até minha mãe por uma pedra de craque. Tudo que estava ao meu redor que desse para trocar ou vender para conseguir mais eu fazia.


Andava pelas madrugadas, quilômetros e quilômetros procurando algum usuário que pudesse repartir comigo sua droga, sempre pensando em maneiras de conseguir mais.
Comecei a enxergar que aquela vida não era para mim, mas não tinha forças para lutar contra o vício. Comecei a procurar ajuda em religiões, ficava dois ou três dias sem usar, mas sempre tornava.  Medo, raiva, vergonha, insegurança, era apenas alguns dos sentimentos que me acompanhavam. Apesar de estar levando aquela vida sombria, sempre fui um cara legal, incapaz de machucar alguém.
Mesmo vendo as pessoas que me amavam sofrendo por minha causa eu não conseguia fazer nada. Comecei a travar uma guerra comigo mesmo, eu queria e precisava parar de usar drogas Pensava muito em meus filhos que estavam crescendo, não queria que eles me vissem daquele jeito e muito menos drogado, seria uma vergonha para eles. Comecei à "tentar  parar", mas todas as minhas tentativas foram em vão. Estava passando por uma grande tortura psicológica, o vício estava me vencendo, comecei a me prostituir para arrumar dinheiro e cada vez mais ia me afundando em um poço que pensava nunca mais sairia.


Não demorou muito, tive um começo de overdose, pensei que naquela noite seria meu fim...
 Perdi tudo, amigos de verdade, família, emprego, apenas minha mulher acreditava em mim e ela não me abandonou, até mesmo minha mãe virou as costas para mim.
Vendo que havia perdido tudo, várias e várias tentativas escorrerem pelo ralo, comecei a pensar; SÓ MESMO TIRANDO MINHA VIDA PARA RESOLVER ISTO.  


Em uma madrugada destas cheguei muito drogado, minha mulher e meu filho estavam dormindo e foi naquela oportunidade  surgiu minha primeira tentativa de suicídio, mas sem sucesso. Cheguei em um ponto em que mesmo chorando, ciente de estar fazendo errado, ainda sim, fazia uso das drogas mesmo em prantos, eu queria sair daquela vida, porém não encontrava uma saída. Alguns dias depois tentei o suicídio novamente, desta vez quase consegui, mas como Deus tem um propósito na vida de cada um "Ele" não permitiu que acontecesse. Na mesma semana pedi ajuda para meu sogro, foi a maior e melhor coisa que aconteceu em minha vida...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Parte 2 - O auto-engano

Comecei a usar diariamente no serviço e na rua. Eu saia do serviço e ia direto para bares que ficavam no mesmo trajeto de casa. Não conseguia mais ficar sem o uso, mas sempre com aquele pensamento; A HORA QUE EU QUISER EU PARO, mais a droga ainda não tinha afetado as áreas da minha vida , então eu ia curtindo achando que tinha o controle total da situação. Comecei a me envolver só com pessoas que faziam o uso, alguns usavam maconha e outros drogas mais pesadas. Tinha vezes que eu até zombava daqueles que usavam as drogas mais pesadas, eu falava; Não sei como vocês tem coragem de gastar tanto dinheiro com essa droga, larguem a mão; Mal sabia que se eu não mudasse  ia parar no mesmo lugar daqueles amigos que eu zombava, ou pior.

Comecei a freqüentar boates da região , já não ligava para minha família, pensava que eu era "o fódão", que estava com a bola toda, mulheradas, bebidas e drogas já faziam parte do meu cotidiano. Foi em uma curtição dessas com mulheres que conheci a COCAÍNA , o efeito foi maravilhoso, mais no outro dia ficava arrebentado. Comecei a gastar muito dinheiro com a cocaína pois ela é mais cara do que a maconha e a compulsão para fazer o uso novamente é mais freqüente. Cheguei a me separar da mulher varias vezes para ter mais liberdade para fazer o uso e também por causas de outras mulheres que faziam uso de drogas. Eu achava o máximo me envolver com mulheres que também usavam, quando eu me apertava muito, sempre voltava para minha mulher, porque ela era de uma família financeiramente estável, era mais até mais fácil para mim usar, porque todo o dinheiro que eu ganhava era para gastar com drogas.
 Ela trabalhava no mercado do pai dela  e nós não pagávamos aluguel porque a casa era do pai dela . Para mim era de grande comodidade. Por ela gostar muito de mim sempre me aceitava de volta, não importava o que eu fizesse.
Nunca conseguia comprar nada para mim porque eu gastava tudo que ganhava com drogas e baladas. Às vezes parava para pensar na vida que eu estava levando, mas sempre com aquele persistente raciocínio; A HORA QUE EU QUISER EU PARO.
O dinheiro que ganhava com o trabalho já não era o suficiente para me manter, então, comecei a me relacionar com mulheres mais velhas do que eu, dessas onde a carência fala mais alto, "presa fácil" para se obter mais dinheiro. Inventava varias histórias para conseguir arrancar dinheiro delas. Focado somente no uso,  já nem percebia que estava mergulhando em um abismo, pensava somente em USAR...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Parte 1 - Minha Infância


 Quando tinha 10 anos , eu era uma criança muito assustada por causa das bebedeiras de meu pai. Ele chegava bêbado em casa e trancava eu e meu irmão dentro do banheiro e batia muito na minha mãe, sem falar que quebrava as coisas em casa também. Quando eu encontrava ele no bar ele sempre me dava um gole de bebida alcoólica na tampinha da garrafa, eu gostava mais não ligava porque queria mesmo brincar pelas ruas do bairro. Com quatorze anos comecei a sair , ir para os bailes da cidade , e curtir um pouco. Entrei em um grupo de dança , dançávamos o baile todo , era muito gostoso , disputávamos concursos de dança na região toda.

Logo comecei a beber nesses bailes que eu freqüentava , a dança já não era prioridade minha, comecei a dividir esse tempo entre a dança e a bebida. Com o passar do tempo beber já era minha prioridade, eu misturava todo tipo de bebida, no outro dia acordava um caco . Quando eu saia já não tinha mais graça ficar sem a bebida , tinha que beber para curtir qualquer lugar que eu estivesse. Os bailes da cidade foram acabando aos poucos . Foi então que nessa época já com 16 anos conheci a mãe de meus dois filhos. Começamos a namorar , um dia sai com meus amigos , minha namorada não estava presente. Nós fomos para um baile na cidade, antes de chegar ao baile um de meus amigos tirou do bolso um pedaço de maconha e disse ; Vamos fumar ? Na hora fiquei com medo , mais não demonstrei, e disse que não queria . Fiquei sentado em um banco vendo eles seguindo pela rua , a procura de um lugar para fazer o uso .

Mais minha curiosidade foi mais forte do que eu , então corri ao encontro deles e sentamos embaixo de uma arvore. Enquanto eles preparavam, a conversa rolava, foi nesse dia que experimentei a droga que se chama porta de entrada para drogas mais pesadas; A MACONHA .
Após o uso senti meu corpo leve e não parava de rir, todos caíram na risada sem o menor motivo. Comecei a usar todas vezes  que saia de casa sem minha namorada e misturava com bebidas alcoólicas. Às vezes encontrava com ela depois de fazer o uso, ela percebia e perguntava se eu avia usado algo , mais eu sempre negava, usava colírio para disfarçar os olhos vermelhos e raspava as pontas do dedo no chão para tirar o amarelo que ficava com o uso constante. Nesse mesmo período meus pais se divorciaram , minha mãe também não percebia porque ela tinha que correr atrás da vida para não deixar faltar nada em casa. Não sobrava tempo para nós filhos, e nesta mesma época  minha namorada engravidou, fiquei muito feliz e decidi largar as drogas. Minha filha nasceu e fomos morar juntos .

Eu trabalhava em uma cerâmica , tudo parecia ir bem , mais dentro de mim parecia faltar algo. Ao sair do serviço , comecei a freqüentar bares e tomar bebidas alcoólicas novamente. Nesses bares conheci varias pessoas que faziam o uso de drogas. Comecei a usar novamente, mais sempre com aquele pensamento ; A HORA QUE EU QUISER EU PARO . Mal sabia que estava enganando à mim mesmo.