Logo minha mulher engravidou novamente, estava esperando um menino. Minha
filha começou a morar com os avós, pois, eles percebiam que na minha casa não
era ambiente para uma criança crescer; Porque que exemplo eu seria para ela?
Eu vivia mais na rua do que em casa, focado somente no uso, não fiz questão
da minha filha morar com os avós, assim, sobrava só uma coisa para eu me
preocupar; COMO ARRUMAR MAIS DROGAS.
Meu filho nasceu, e foi mais ou menos nesta época que conheci a droga que ia
me humilhar; "O CRAQUE!" Esta droga afetou todas as áreas de minha vida
(não que outras drogas não seja capaz de fazer o mesmo), família,
relacionamento, espiritualmente, fisicamente, no trabalho, etc. Foram dois
eternos anos sem produzir nada, andava pelos piores lugares que vocês possam
imaginar, às margem da sociedade, andava sempre de cabeça baixa com vergonha da
pessoa que avia me tornado.
No trabalho já não ia mais, às vezes fazia alguns bicos para conseguir
dinheiro. Comecei a vender minhas coisas e quando não achava mais nada meu para
vender pegava coisas da minha mulher e
dos meus filhos. Chegava sempre de madrugada, pois já havia passado o dia e
parte da noite consumindo o craque. A compulsão para o uso desta droga era tão
grande sobre mim que eu trocaria até minha mãe por uma pedra de craque. Tudo
que estava ao meu redor que desse para trocar ou vender para conseguir mais eu fazia.
Andava pelas madrugadas, quilômetros e quilômetros procurando algum usuário
que pudesse repartir comigo sua droga, sempre pensando em maneiras de conseguir
mais.
Comecei a enxergar que aquela vida não era para mim, mas não tinha forças
para lutar contra o vício. Comecei a procurar ajuda em religiões, ficava dois
ou três dias sem usar, mas sempre tornava. Medo, raiva, vergonha, insegurança,
era apenas alguns dos sentimentos que me acompanhavam. Apesar de estar levando
aquela vida sombria, sempre fui um cara legal, incapaz de machucar alguém.
Mesmo vendo as pessoas que me amavam sofrendo por minha causa eu não conseguia
fazer nada. Comecei a travar uma guerra comigo mesmo, eu queria e precisava
parar de usar drogas Pensava muito em meus filhos que estavam crescendo, não
queria que eles me vissem daquele jeito e muito menos drogado, seria uma
vergonha para eles. Comecei à "tentar parar", mas todas as minhas tentativas
foram em vão. Estava passando por uma grande tortura psicológica, o vício
estava me vencendo, comecei a me prostituir para arrumar dinheiro e cada vez
mais ia me afundando em um poço que pensava nunca mais sairia.
Não demorou muito, tive um começo de overdose, pensei que naquela noite
seria meu fim...
Perdi tudo, amigos de verdade, família,
emprego, apenas minha mulher acreditava em mim e ela não me abandonou, até mesmo
minha mãe virou as costas para mim.
Vendo que havia perdido tudo, várias e várias tentativas escorrerem pelo
ralo, comecei a pensar; SÓ MESMO TIRANDO MINHA VIDA PARA RESOLVER ISTO.
Em uma madrugada destas cheguei muito drogado, minha mulher e meu filho
estavam dormindo e foi naquela oportunidade surgiu minha primeira tentativa de suicídio,
mas sem sucesso. Cheguei em um ponto em que mesmo chorando, ciente de estar
fazendo errado, ainda sim, fazia uso das drogas mesmo em prantos, eu queria
sair daquela vida, porém não encontrava uma saída. Alguns dias depois tentei o suicídio
novamente, desta vez quase consegui, mas como Deus tem um propósito na vida de
cada um "Ele" não permitiu que acontecesse. Na mesma semana pedi
ajuda para meu sogro, foi a maior e melhor coisa que aconteceu em minha vida...
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Parte 2 - O auto-engano
Comecei a usar diariamente no serviço e na rua. Eu saia do serviço e ia
direto para bares que ficavam no mesmo trajeto de casa. Não conseguia mais
ficar sem o uso, mas sempre com aquele pensamento; A HORA QUE EU QUISER EU
PARO, mais a droga ainda não tinha afetado as áreas da minha vida , então eu ia
curtindo achando que tinha o controle total da situação. Comecei a me envolver
só com pessoas que faziam o uso, alguns usavam maconha e outros drogas mais
pesadas. Tinha vezes que eu até zombava daqueles que usavam as drogas mais
pesadas, eu falava; Não sei como vocês tem coragem de gastar tanto dinheiro com
essa droga, larguem a mão; Mal sabia que se eu não mudasse ia parar no mesmo lugar daqueles amigos que eu
zombava, ou pior.
Comecei a freqüentar boates da região , já não ligava para minha família, pensava que eu era "o fódão", que estava com a bola toda, mulheradas, bebidas e drogas já faziam parte do meu cotidiano. Foi em uma curtição dessas com mulheres que conheci a COCAÍNA , o efeito foi maravilhoso, mais no outro dia ficava arrebentado. Comecei a gastar muito dinheiro com a cocaína pois ela é mais cara do que a maconha e a compulsão para fazer o uso novamente é mais freqüente. Cheguei a me separar da mulher varias vezes para ter mais liberdade para fazer o uso e também por causas de outras mulheres que faziam uso de drogas. Eu achava o máximo me envolver com mulheres que também usavam, quando eu me apertava muito, sempre voltava para minha mulher, porque ela era de uma família financeiramente estável, era mais até mais fácil para mim usar, porque todo o dinheiro que eu ganhava era para gastar com drogas.
Ela trabalhava no mercado do pai dela e nós não pagávamos aluguel porque a casa era do pai dela . Para mim era de grande comodidade. Por ela gostar muito de mim sempre me aceitava de volta, não importava o que eu fizesse.
Nunca conseguia comprar nada para mim porque eu gastava tudo que ganhava com drogas e baladas. Às vezes parava para pensar na vida que eu estava levando, mas sempre com aquele persistente raciocínio; A HORA QUE EU QUISER EU PARO.
O dinheiro que ganhava com o trabalho já não era o suficiente para me manter, então, comecei a me relacionar com mulheres mais velhas do que eu, dessas onde a carência fala mais alto, "presa fácil" para se obter mais dinheiro. Inventava varias histórias para conseguir arrancar dinheiro delas. Focado somente no uso, já nem percebia que estava mergulhando em um abismo, pensava somente em USAR...
Comecei a freqüentar boates da região , já não ligava para minha família, pensava que eu era "o fódão", que estava com a bola toda, mulheradas, bebidas e drogas já faziam parte do meu cotidiano. Foi em uma curtição dessas com mulheres que conheci a COCAÍNA , o efeito foi maravilhoso, mais no outro dia ficava arrebentado. Comecei a gastar muito dinheiro com a cocaína pois ela é mais cara do que a maconha e a compulsão para fazer o uso novamente é mais freqüente. Cheguei a me separar da mulher varias vezes para ter mais liberdade para fazer o uso e também por causas de outras mulheres que faziam uso de drogas. Eu achava o máximo me envolver com mulheres que também usavam, quando eu me apertava muito, sempre voltava para minha mulher, porque ela era de uma família financeiramente estável, era mais até mais fácil para mim usar, porque todo o dinheiro que eu ganhava era para gastar com drogas.
Ela trabalhava no mercado do pai dela e nós não pagávamos aluguel porque a casa era do pai dela . Para mim era de grande comodidade. Por ela gostar muito de mim sempre me aceitava de volta, não importava o que eu fizesse.
Nunca conseguia comprar nada para mim porque eu gastava tudo que ganhava com drogas e baladas. Às vezes parava para pensar na vida que eu estava levando, mas sempre com aquele persistente raciocínio; A HORA QUE EU QUISER EU PARO.
O dinheiro que ganhava com o trabalho já não era o suficiente para me manter, então, comecei a me relacionar com mulheres mais velhas do que eu, dessas onde a carência fala mais alto, "presa fácil" para se obter mais dinheiro. Inventava varias histórias para conseguir arrancar dinheiro delas. Focado somente no uso, já nem percebia que estava mergulhando em um abismo, pensava somente em USAR...
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Parte 1 - Minha Infância
Quando tinha 10 anos , eu era uma criança muito
assustada por causa das bebedeiras de meu pai. Ele chegava bêbado em casa e
trancava eu e meu irmão dentro do banheiro e batia muito na minha mãe, sem
falar que quebrava as coisas em casa também. Quando eu encontrava ele no bar
ele sempre me dava um gole de bebida alcoólica na tampinha da garrafa, eu
gostava mais não ligava porque queria mesmo brincar pelas ruas do bairro. Com quatorze
anos comecei a sair , ir para os bailes da cidade , e curtir um pouco. Entrei
em um grupo de dança , dançávamos o baile todo , era muito gostoso , disputávamos
concursos de dança na região toda.
Logo comecei a beber nesses bailes que eu freqüentava , a
dança já não era prioridade minha, comecei a dividir esse tempo entre a dança e
a bebida. Com o passar do tempo beber já era minha prioridade, eu misturava
todo tipo de bebida, no outro dia acordava um caco . Quando eu saia já não
tinha mais graça ficar sem a bebida , tinha que beber para curtir qualquer
lugar que eu estivesse. Os bailes da cidade foram acabando aos poucos . Foi então
que nessa época já com 16 anos conheci a mãe de meus dois filhos. Começamos a
namorar , um dia sai com meus amigos , minha namorada não estava presente. Nós fomos
para um baile na cidade, antes de chegar ao baile um de meus amigos tirou do bolso
um pedaço de maconha e disse ; Vamos fumar ? Na hora fiquei com medo , mais não
demonstrei, e disse que não queria . Fiquei sentado em um banco vendo eles
seguindo pela rua , a procura de um lugar para fazer o uso .
Mais minha curiosidade foi mais forte do que eu , então
corri ao encontro deles e sentamos embaixo de uma arvore. Enquanto eles
preparavam, a conversa rolava, foi nesse dia que experimentei a droga que se
chama porta de entrada para drogas mais pesadas; A MACONHA .
Após o uso senti meu corpo leve e não parava de rir, todos caíram
na risada sem o menor motivo. Comecei a usar todas vezes que saia de casa sem minha namorada e
misturava com bebidas alcoólicas. Às vezes encontrava com ela depois de fazer o
uso, ela percebia e perguntava se eu avia usado algo , mais eu sempre negava,
usava colírio para disfarçar os olhos vermelhos e raspava as pontas do dedo no chão
para tirar o amarelo que ficava com o uso constante. Nesse mesmo período meus
pais se divorciaram , minha mãe também não percebia porque ela tinha que correr
atrás da vida para não deixar faltar nada em casa. Não sobrava tempo para nós
filhos, e nesta mesma época minha
namorada engravidou, fiquei muito feliz e decidi largar as drogas. Minha filha
nasceu e fomos morar juntos .
Eu trabalhava em uma cerâmica , tudo parecia ir bem , mais
dentro de mim parecia faltar algo. Ao sair do serviço , comecei a freqüentar
bares e tomar bebidas alcoólicas novamente. Nesses bares conheci varias pessoas
que faziam o uso de drogas. Comecei a usar novamente, mais sempre com aquele pensamento
; A HORA QUE EU QUISER EU PARO . Mal sabia que estava enganando à mim mesmo.
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