terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Parte 2 - O auto-engano

Comecei a usar diariamente no serviço e na rua. Eu saia do serviço e ia direto para bares que ficavam no mesmo trajeto de casa. Não conseguia mais ficar sem o uso, mas sempre com aquele pensamento; A HORA QUE EU QUISER EU PARO, mais a droga ainda não tinha afetado as áreas da minha vida , então eu ia curtindo achando que tinha o controle total da situação. Comecei a me envolver só com pessoas que faziam o uso, alguns usavam maconha e outros drogas mais pesadas. Tinha vezes que eu até zombava daqueles que usavam as drogas mais pesadas, eu falava; Não sei como vocês tem coragem de gastar tanto dinheiro com essa droga, larguem a mão; Mal sabia que se eu não mudasse  ia parar no mesmo lugar daqueles amigos que eu zombava, ou pior.

Comecei a freqüentar boates da região , já não ligava para minha família, pensava que eu era "o fódão", que estava com a bola toda, mulheradas, bebidas e drogas já faziam parte do meu cotidiano. Foi em uma curtição dessas com mulheres que conheci a COCAÍNA , o efeito foi maravilhoso, mais no outro dia ficava arrebentado. Comecei a gastar muito dinheiro com a cocaína pois ela é mais cara do que a maconha e a compulsão para fazer o uso novamente é mais freqüente. Cheguei a me separar da mulher varias vezes para ter mais liberdade para fazer o uso e também por causas de outras mulheres que faziam uso de drogas. Eu achava o máximo me envolver com mulheres que também usavam, quando eu me apertava muito, sempre voltava para minha mulher, porque ela era de uma família financeiramente estável, era mais até mais fácil para mim usar, porque todo o dinheiro que eu ganhava era para gastar com drogas.
 Ela trabalhava no mercado do pai dela  e nós não pagávamos aluguel porque a casa era do pai dela . Para mim era de grande comodidade. Por ela gostar muito de mim sempre me aceitava de volta, não importava o que eu fizesse.
Nunca conseguia comprar nada para mim porque eu gastava tudo que ganhava com drogas e baladas. Às vezes parava para pensar na vida que eu estava levando, mas sempre com aquele persistente raciocínio; A HORA QUE EU QUISER EU PARO.
O dinheiro que ganhava com o trabalho já não era o suficiente para me manter, então, comecei a me relacionar com mulheres mais velhas do que eu, dessas onde a carência fala mais alto, "presa fácil" para se obter mais dinheiro. Inventava varias histórias para conseguir arrancar dinheiro delas. Focado somente no uso,  já nem percebia que estava mergulhando em um abismo, pensava somente em USAR...

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